Você sabia que a maior causa de descarte na indústria de polpas, muitas vezes, não é a fruta estragada no campo, mas sim falhas críticas no processamento e na manutenção da cadeia do frio?
Em um cenário onde o mercado de saudabilidade não para de crescer, a transformação de frutas in natura em polpas congeladas exige um rigor que vai muito além da inspeção visual.
Neste guia completo, você aprenderá como as Normas do MAPA definem a identidade do seu produto, quais os testes de laboratório indispensáveis e como as Boas Práticas de Fabricação (BPF) blindam sua fábrica contra riscos sanitários.
Diferente do que muitos pensam, qualidade industrial não é apenas “ter um bom sabor”. O controle de qualidade atua como o sistema nervoso central da operação, equilibrando a eficiência produtiva com a preservação biológica.
Ele se divide em dois pilares essenciais:
Qualidade Sensorial: Refere-se aos atributos percebidos diretamente pelo consumidor, como cor vibrante, aroma característico, sabor e corpo (viscosidade).
Qualidade Sanitária (Food Safety): Foca na segurança biológica absoluta. O objetivo é garantir a ausência de patógenos como Salmonella, Listeria ou parasitas específicos, como o Trypanosoma cruzi (causador da Doença de Chagas, um risco crítico no processamento de açaí).
A conformidade com as leis brasileiras é o único caminho para evitar que sua polpa seja considerada fraude ou sofra interdição. O setor é regido principalmente por dois órgãos:
Instrução Normativa nº 37/2018 (MAPA): Esta é a norma “mãe”. Ela define o Padrão de Identidade e Qualidade (PIQ), estabelecendo o que pode ou não ser chamado de polpa de fruta (proibindo, por exemplo, a adição de açúcares ou corantes em produtos rotulados como 100% polpa).
RDC 275 e RDC 216 (ANVISA): Focadas nas Boas Práticas de Fabricação (BPF), exigindo controles rígidos sobre a higiene das instalações e dos manipuladores.
Para garantir a padronização, o controle deve atuar em três momentos chave:
A qualidade da polpa nasce na maturidade fisiológica da fruta. O controle de qualidade deve utilizar o Índice de Maturação (Ratio) — a relação matemática entre Brix e Acidez — para aceitar apenas lotes padronizados.
Dica Prática: A lavagem e sanitização em água clorada (100-200 ppm) antes do despolpamento é obrigatória para derrubar a carga microbiana inicial.
A pasteurização é um Ponto Crítico de Controle (PCC). O choque térmico tem função dupla: inativar enzimas que causam escurecimento (como a peroxidase) e eliminar microrganismos. O segredo está no binômio tempo-temperatura: o calor deve ser suficiente para garantir o shelf-life (vida de prateleira), mas controlado para não “cozinhar” a fruta, o que alteraria o sabor de “fresco”.
Para manter a textura original, o uso de túneis de congelamento rápido é vital.
O Perigo: O congelamento lento forma grandes cristais de gelo pontiagudos. Eles rompem as células da fruta, resultando em uma polpa “aguada” (separação de fases ou sinérese) quando o cliente final descongela o produto.
O laboratório industrial é o pilar quantitativo que assegura que o lote de hoje seja igual ao de ontem.
Brix (Sólidos Solúveis): Mede o açúcar natural e indica o rendimento da fruta.
pH e Acidez: Polpas com pH abaixo de 4,5 possuem uma barreira natural contra o botulismo, facilitando a conservação.
Monitoramento obrigatório de Coliformes, Salmonella e contagem de Bolores e Leveduras. Estes últimos são os principais vilões responsáveis pela fermentação e deterioração do produto no estoque.
As BPFs garantem que o ambiente industrial jogue a favor do produto, não contra.
Fluxo Unidirecional: A regra de ouro é que a fruta “suja” que chega do campo nunca cruze o caminho da polpa “limpa” já processada ou envasada.
Higiene Pessoal: Uso rigoroso de uniformes, toucas e protocolos de lavagem de mãos.
Estrutura: Pisos laváveis, ralos sifonados e telas milimétricas nas janelas.
Quebra da Cadeia do Frio: O “descongela e recongela” durante o transporte causa flutuações térmicas que recristalizam o gelo e oxidam vitaminas.
Falta de Calibração: Balanças e refratômetros (que medem o Brix) descalibrados levam a erros de formulação e podem comprometer a segurança do tratamento térmico.
O rigor no controle de qualidade é o que transforma a “generosidade da natureza” em um produto estável, seguro e lucrativo. Seguir as normas do MAPA e implementar um sistema de BPF robusto não é apenas uma obrigação legal, mas a única forma de garantir que a essência da fruta chegue ao consumidor com todo o seu frescor.
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Guilherme Bristot